Livro O Mágico de Oz: curiosidades e diferenças do filme
- Camila Mazotti Zampar
- 25 de jan.
- 5 min de leitura
Alguma vez na sua vida, em todos esses anos, você com certeza já ouviu falar em O Mágico de Oz.
Provavelmente pelo clássico musical de 1939, que começa em preto e branco na pequena cidade do Kansas e ganha cores vibrantes quando Dorothy chega ao mundo de Oz, essa história atravessa gerações e continua encantando espectadores até hoje.
O que talvez você não saiba é que esse filme icônico foi baseado em um livro infantil escrito pelo americano L. Frank Baum, publicado pela primeira vez em 1900.
E mais: existem diferenças marcantes entre o livro O Mágico de Oz e sua adaptação para o cinema, mudanças que vão muito além das cores e dos efeitos visuais.
Neste artigo, vamos conhecer as principais diferenças entre o livro O Mágico de Oz e o filme que ajudaram a transformar essa história em um clássico.
Contém spoiler

Os sapatinhos de Dorothy
No livro O Mágico de Oz, os famosos sapatinhos que ajudam Dorothy a voltar para casa não são de rubi, mas prateados.
A mudança para o vermelho no filme aconteceu por uma questão puramente visual. Os sapatinhos de rubi se destacavam muito mais nas telas coloridas da época, criando um contraste marcante e inesquecível.
Os macacos alados da Bruxa
Diferente do que vemos no filme, os macacos alados não trabalhavam diretamente para a Bruxa Má do Oeste.
No livro, eles fazem parte de uma antiga maldição e eram obrigados a obedecer a quem estivesse com o Chapéu Dourado, que concedia o direito de fazer três pedidos. Ou seja, eles não eram maus por natureza.
A cidade das Esmeraldas
Apesar do nome, a Cidade das Esmeraldas não era realmente verde.
No livro, todos que chegavam à cidade eram obrigados a usar óculos com lentes verdes, criando a ilusão de que tudo ao redor era feito de esmeralda. Uma crítica sutil às aparências e às ilusões.
As formas do Grande Mágico de Oz
No livro O Mágico de Oz, o Grande Mágico não aparece da mesma forma para todos.
Cada personagem o vê de um jeito diferente, de acordo com seus medos, desejos e inseguranças.
Para Dorothy, o Mágico surge como uma enorme cabeça, flutuando no ar, transmitindo uma imagem de poder e intimidação.
Para o Espantalho, ele aparece como uma bela mulher, simbolizando inteligência e sabedoria, exatamente aquilo que o Espantalho acreditava não possuir.
Para o Homem de Lata, o Mágico assume a forma de um monstro terrível, refletindo seus medos mais profundos e sua busca por sentimentos verdadeiros.
Para o Leão Covarde, ele se manifesta como uma bola de fogo, imponente e assustadora, representando a coragem que o Leão tanto desejava ter.
Essas diferentes aparições reforçam uma das mensagens centrais do livro O Mágico de Oz: muitas vezes, aquilo que mais tememos ou desejamos não está fora, mas dentro de nós mesmos.
A viagem de balão
Após o Mágico conceder inteligência ao Espantalho, coragem ao Leão e um coração ao Homem de Lata, ele tenta ajudar Dorothy a voltar para o Kansas em seu balão.
No entanto, no último momento, o balão acaba partindo sem ela, e o Mágico deixa Oz acidentalmente, sem cumprir sua promessa.
No livro O Mágico de Oz, após a partida do Mágico, o Espantalho passa a governar a Cidade das Esmeraldas, assumindo o papel de líder em Oz.
Já no filme, esse detalhe não é mencionado, o que faz com que essa mudança importante na história acabe passando despercebida para muitos espectadores.
Os Winkies e a escravidão da Bruxa Má do Oeste
No livro O Mágico de Oz, assim como no clássico filme de 1939, o povo que vivia sob o domínio da Bruxa Má do Oeste eram os Winkies.
Os Winkies são os habitantes nativos do quadrante oeste de Oz, uma região de tons amarelados, árida e marcada pela opressão imposta pela bruxa.
Após conquistar o território, a Bruxa Má do Oeste escravizou os Winkies, obrigando-os a trabalhar em seu castelo e a obedecer cegamente às suas ordens.
No filme, eles ficaram especialmente conhecidos pelo canto de trabalho, entoado durante as marchas, com a frase marcante: “Oh-Ee-Yah! Ee-Oh-Ah!”
Com a derrota da bruxa, quando Dorothy a atinge acidentalmente com água, os Winkies finalmente são libertados.
No livro O Mágico de Oz, eles passam a viver em paz e reconhecem o Homem de Lata como seu governante, tornando-se seus aliados e amigos.
O destino do Leão Covarde
No livro o Leão Covarde possui um destino muito mais definido do que aquele apresentado no cinema.
Após receber a coragem que tanto desejava, ele retorna para a floresta onde vivia e passa a ser reconhecido como o Rei das Bestas, governando uma extensa região selvagem de Oz.
Essa área é frequentemente descrita como uma floresta densa e inexplorada, localizada nos arredores da terra dos Quadlings.
Esse detalhe importante não é mencionado no filme de 1939. Na adaptação cinematográfica, o foco permanece apenas em sua jornada pessoal em busca de coragem e em seu papel como companheiro fiel de Dorothy, sem explorar o que acontece com ele após a derrota da Bruxa Má do Oeste.
No livro, o Leão é apresentado como um leão de verdade, temido pelos outros animais, mas de coração bondoso. Já no filme, sua representação é mais antropomórfica e cômica, reforçando seu lado emocional e inseguro.
A jornada para o sul e o retorno de Dorothy
No livro O Mágico de Oz, após descobrirem que o Grande Mágico era apenas um homem comum e depois de sua partida inesperada no balão, Dorothy precisa encontrar outra forma de voltar para casa.
É então que o Soldado com Bigodes Verdes da cidade das esmeraldas, sugere que ela procure Glinda, a Bruxa Boa do Sul, acreditando que ela pode ajudá-la a retornar ao Kansas.
Diferente do filme, o livro apresenta uma longa e perigosa jornada pelo país dos Quadlings.
Nesse percurso, Dorothy e seus amigos enfrentam diversos obstáculos, como as árvores lutadoras, e passam pela enigmática Cidade de Porcelana, um dos episódios mais simbólicos e curiosos da obra, que foi completamente excluído da adaptação cinematográfica de 1939.
No filme, essa travessia é bastante simplificada, com a narrativa avançando rapidamente para o encontro com Glinda, sem explorar esses desafios intermediários.
Ao chegarem ao castelo, Glinda revela algo surpreendente. Dorothy sempre teve o poder de voltar para casa.
No livro, esse poder está nos sapatinhos de prata, herdados da Bruxa Má do Leste.
O retorno ao Kansas
Seguindo as instruções de Glinda, Dorothy bate os calcanhares três vezes e diz:
“Leve-me para casa, para a Tia Em!”
Assim, ela é finalmente transportada de volta ao Kansas.
No filme, esse momento ganha um tom mais emocional e simbólico, reforçando a ideia de que tudo poderia ter sido um sonho, enquanto o livro mantém uma abordagem mais direta e mágica sobre o funcionamento do mundo de Oz.
Conclusão
Ao comparar o livro O Mágico de Oz com sua famosa adaptação cinematográfica, fica claro que, embora o filme de 1939 tenha eternizado imagens, músicas e personagens no imaginário popular, a obra original de L. Frank Baum oferece uma narrativa mais rica em detalhes, simbolismos e caminhos inesperados.
Cada diferença revela escolhas criativas feitas para o cinema e, ao mesmo tempo, convida o leitor a enxergar Oz por uma perspectiva mais profunda e complexa.
No fim, seja nas páginas do livro ou nas cenas do filme, a jornada de Dorothy continua carregando uma mensagem atemporal: muitas vezes, aquilo que buscamos ao longo do caminho já estava conosco desde o início.
Entre mundos mágicos, personagens inesquecíveis e aventuras extraordinárias, a história nos lembra que não existe lugar melhor que a nossa casa, e que o verdadeiro encanto está em reconhecer o valor de onde pertencemos.


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